quarta-feira, 21 de abril de 2010

Não-palavra do momento: capabilidade

O ramo da informática é rico em anglicismos, porque boa parte da tecnologia vem dos gringos mesmo. Mas também há uma falsa criatividade que constantemente aflora: pessoas que não conhecem sua própria língua são as primeiras a adotar barbaridades como capabilidade.

Na música, usam-se termos italianos há séculos, mas não para substituir termos simples do dia-a-dia. Se alguém quiser usar software, hardware, mouse, etc., que seja, mas não vamos começar a escrever high, fast e morning.

O que há de errado em usar "capacidade"? Nada. Mas com capabilidade há, porque capabilidade está para capar assim como amabilidade está para amar. Geometricamente provado está que a palavra não serve para o fim proposto.

Há também um motivo histórico para não usar o termo! O Webster me diz que capability entrou no inglês em 1587, quando o português já estava mais que estabelecido. Os ingleses o copiaram do francês e os franceses já esqueceram de onde o tiraram. A citação mais antiga no CNRTL (Centre National de Ressources Textuelles et Lexicales) é de 1350. Em 1350 Portugal já fazia muito cozido alentejano.

Pelo menos com esta palavra não somos os únicos culpados, porque os engenheiros também a usam bastante. É cômico que gente com tanta habilidade com os números tenha tanta dificuldade com as letras.

Então, tenha respeito com sua língua e use a palavra certa: capacidade.

Um comentário:

Marcus Aurelius disse...

Ainda bem que nunca tive o desprazer de ouvir essa pseudopalavra.