segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Micro Men

A BBC produz documentários excepcionais e Micro Men (exibido pela BBC Four em 2009) é dos melhores. Ele conta a história da disputa entre a Sinclair e a Acorn pelo domínio do mercado incipiente de microcomputadores no Reino Unido.

Havia uma cerrada competição entre as duas empresas, porque Chris Curry tinha sido funcionário de Clive Sinclair e não tinha conseguido convencer o chefe a investir na criação de um computador doméstico. Ele então saiu e formou a Acorn com o austríaco Hermann Hauser.

Um tema importante do filme é que ambos pareciam não saber bem para que os computadores seriam usados. Sinclair parece ter ficado bastante aborrecido com o fato de que seu maior sucesso, o ZX Spectrum foi usado principalmente para rodar jogos.

Outro elemento interessante é o de que a tecnologia e os profissionais estavam disponíveis e só faltava alguém com visão para criar um produto. Os criadores dos micros da Acorn estavam na universidade e faziam coisas como programar implementos agrícolas.

A disputa entre as duas para conseguir um contrato com a BBC para produzir um micro educacional é o ponto alto do documentário. Os executivos da BBC entram no laboratório da Acorn no exato instante em que o protótipo começa a funcionar; Sinclair, ao saber da derrota, arremessa o telefone através do escritório.

O filme se passa principalmente em Cambridge, mas, infelizmente, pouco mostra dessa cidade histórica. Por outro lado, ele recria muito bem a estética da época. Em alguns momentos parece até ter sido filmado com equipamento dos anos 80 e trechos de programas de então são inseridos sem que pareçam fora do lugar.

As duas empresas não existem mais, embora a Acorn tenha deixado os processadores ARM como legado.

No Brasil, a história da Unitron, pelo menos, seria interessante contar. O Mac 512 foi um projeto brilhante que provocou um confronto diplomático entre o Brasil e os Estêites. O nosso governo, que parecia tão interessado em desenvolver nossa indústria de informática (afinal, tínhamos uma reserva de mercado), acabou abandonando a Unitron (com campanha na mídia, como insulto final) em favor dos interesses de exportadores de laranjas e sapatos. E é isso, até hoje, que exportamos.

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