terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Cotas ou Quotas?

Nas grandes polêmicas nacionais, dificilmente alguém se dá ao trabalho de analisar os números. Somos uma nação rica em retórica e pobre em realidade.

Com relação à cotas nas universidades, tenho a impressão de que não sejam o suficiente. Para muitos, o problema não está no ingresso, mas na falta de meios para completar o curso. Estudar é caro, mesmo quando é de graça.

Resolvi comparar os números do meu vestibular, que não tinha cotas, com o deste ano, que tem.

Em 1992, meu curso (Ciências da Computação da UFRGS) tinha 72 vagas e 1.390 candidatos (19,3 por vaga, portanto).

Em 2010, 18 anos mais tarde, há 160 vagas e 1.220 candidatos. São 7,6 por vaga. Apenas 112 dessas vagas são de livre ingresso; as demais são reservadas para alunos de escolas públicas e descendentes de africanos.

Então, há 55% mais vagas de livre acesso e 12% menos candidatos ao total.

E, supondo que seja verdadeira a proposição de que as cotas estejam roubando vagas de alunos mais preparados, vou subtrair do total os candidatos às cotas. Para as vagas de livre ingresso, candidataram-se 447 alunos para as 70 vagas de Ciências da Computação (6,38 por vaga) e 244 para as 42 vagas de Engenharia de Computação (5,81 por vaga).

Então, como pode alguém estar usurpando vagas, se todos têm mais?

3 comentários:

Heloísa disse...

Esta análise parece até ter vindo do "O homem que calculava". Me lembrou a divisão dos camelos.

Anônimo disse...

Mas a conclusão a que tu chegaste não se sustenta num caso mais geral. Falha para os cursos, ou janelas temporais, que não apresentaram aumento no número de vagas. Tua conclusão seria justificável se a aplicação das cotas fosse de fato vinculada a um aumento do número de vagas nas universidades.

De qualquer forma, não sou contra cotas para pobres. Só não acho legal (e a Constituição concorda) separar por cor. O critério de pobreza, sozinho, já cobre as desvantagens gerais daqueles que as cotas visam a proteger. O único aspecto positivo das cotas raciais seria acostumar a sociedade a ver em profissões de maior destaque negros, índios e pardos, e com isso reduzir o preconceito. Entretanto, acho que o racismo já estava num curso de deterioração natural e acelerada.

Francisco (Chico) Pinto

forinti disse...

No meu baralho, casos concretos valem mais que casos gerais hipotéticos.