segunda-feira, 19 de julho de 2010

Império dos 8 bits III

Finalmente, o Império chega ao Oriente. Essa região não produziu muitos modelos, mas produziu o melhor micro de 8 bits.

Apenas 5 países dessa região produziram computadores de 8 bits: Austrália, Coréia do Sul, Japão e Nova Zelândia. Hong Kong projetou um e o produziu noutros países.

Na Austrália, a Microbee produziu uma série de computadores baseada no Z80. O primeiro modelo, lançado em 1982, tinha 16KB ou 32KB de RAM, com 16KB de ROM contendo o BASIC e mais 12KB para funções opcionais (como editor de textos ou software de comunicação). Ele rodava a 3,375MHz e tinha a capacidade de exibir gráficos de até 512x256 pixeis (com duas cores), o que era impressionante para a época. Os modelos subsequentes foram adicionando memória (56KB, 64KB e 128KB) e usavam o CP/M, baseado em disco.

Também foi muito popular o VTech VZ200, baseado no Z80. Era muito mais simples, mas também era muito barato. O projeto era de Hong Kong, mas era produzido e vendido na Austrália e Nova Zelândia pela Dick Smith.

Na Nova Zelândia, o Poly 1 foi produzido de 1981 a 1989. Ele usava o 6809 e era extremamente caro. É provável que tenha sido o primeiro micro com função de rede.

Na Coréia do Sul, a Samsung projetou o SPC-1000. Ele foi fabricado, no entanto, no Japão. Era mais um micro baseado no Z80 e se não fosse o único projetado pela Coréia, nem valeria a pena ser mencionado; ele não tinha nenhuma característica marcante.

Por fim, o Japão. Deste país saiu o melhor micro de 8 bits. A Fujitsu lançou várias versões do FM-7 entre 1982 e 1988. Estranhamente, esse micro teve pouco sucesso fora do Japão. Os MSX, que eram tecnologicamente menos desenvolvidos, tiveram muito mais sucesso.

O primeiro modelo do FM-7 já tinha 64KB de RAM em 1982! No ano anterior, o ZX81 tinha feito enorme sucesso na Inglaterra com apenas 1KB de RAM. O modelo anterior (FM-8; não tente compreender a numeração dos modelos) já tinha 64KB em 1981. O último modelo (o FM77AV40SX) tinha 192KB de RAM (que podiam ser expandidos até 448KB) e ainda mais 192KB de VRAM. As capacidades gráficas também eram impressionantes. O FM-7 sustentava 640x200 pixeis em 8 cores; o último modelo, até 640x400 em 8 cores de uma paleta de 4096 ou 320x200 com 4096 cores. Ademais, era possível ter várias páginas de gráficos. Isto é, era possível ter em memória 2, 4, 6 ou 8 telas simultaneamente, conforme o modo gráfico.

Os Fujistu usavam dois processadores 68B09 (uma variação do 6809), sendo o segundo encarregado dos gráficos e do I/O. O 6809 foi o melhor processador de 8 bits. Ele podia endereçar até 1MB de RAM, em páginas de 4KB. Seus modelos rodavam a 1Mhz (6809), 1,5Mhz (68A09) e 2Mhz (68B09). Mesmo sendo mais lento que o Z80, ele (e seu primo 6502) eram muito mais rápidos ao acessar a memória e por isso pareciam produzir sistemas muito mais velozes, como se podia notar ao comparar o jogo Elite num Z80 de 3.58MHz com o mesmo jogo num 6502 de 2Mhz.

Um comentário:

Karl Heinz Benz disse...

Salve, Gabriel! Eu cheguei a projetar, naqueles tempos saudosos dos 8 bits (quando a gente sabia exatamente o que estava acontecendo na CPU), um TRS-80 Modelo I, com Z-80, uns quantos KBytes de interpretador BASIC, com interface para gravador K7 e assim por diante. Tinha toda a documentação feita à mão, com todo o detalhamento. Nunca cheguei a montar a tralha, pois o mercado de trabalho me corrompeu, jogando-me nas insatisfatórias, mal definidas e pessimamente documentadas (mas melhor remuneradas) vias do software aplicativo. Mas morro de saudade daqueles tempos, do software básico, do hardware...

Grande abraço,

Karl