quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Métodos frágeis

Uma das práticas mais desastrosas que eu já vi é a de nomear artefatos com os códigos dos casos de uso. A motivação é boa (relacionar os casos de uso ao código que os implementa), mas, como geralmente acontece quando os primeiros princípios são levados adiante por muito tempo antes de se dar uma espiadinha na realidade, o resultado é terrível.

Por exemplo, há quem dê aos JSPs de um projeto Java nomes como "UC123.jsp". Já vi até classes com esse tipo de nome.

Em primeiro lugar, poucos artefatos relacionam-se a apenas um caso de uso. O que o programador vai fazer para resolver isso? Não podemos chamar um JSP de "UC123,127,201.jsp". Em segundo lugar, fica muito difícil ler e encontrar o código que queremos em projetos grandes.

Em terceiro lugar (e este é o motivo mais importante), essas tentativas de burocratizar o código alienam todos os programadores que amam seu trabalho e que preocupam-se com a qualidade do que escrevem. Código bom tem qualidades estéticas para quem sabe apreciá-lo e esse tipo de nome obscurece qualquer tentativa de prover elegância a uma arquitetura.

2 comentários:

Claudio disse...

Acho que devo me dar por feliz por nunca ter sido exposto à prática tão abominável!

Marcus Aurelius disse...

O melhor é que a numeração começa com a ordem natural, mas com as mudanças ao longo do caminho, a ordem das telas fica:

UC026 → UC029_02 → UC031 → UC028_01 → UC037

Caso real, de um sistema que entrou no ar este ano... Neste ano também tivemos o marco de finalmente criar a primeira tela NOMEada com um NOME, e não com um número. \o/