Fui à farmácia comprar paracetamol em gotas para meu filho. O líquido vermelho vem protegido dentro de um frasco de plástico e fechado com uma tampa bem forte. Isso está dentro de uma caixa de cartolina e, além disso, a farmácia entrega-me tudo dentro de um saco plástico pequeno.
O saco, por ser pequeno, não serve para muita coisa a não ser carregar o remédio até a minha casa. Quinze minutos depois, ele está no lixo (reciclável, pelo menos). É um desperdício completamente desnecessário.
Quando eu ainda frequentava uma locadora de filmes, sempre recusava as sacolinhas para os DVDs (que, de qualquer sorte, já estavam dentro de capas plásticas bem fortes). E eu devia ser o único cliente, porque as moças do balcão sempre estranhavam (acho que a memória delas não alcançava ao fim-de-semana anterior).
Voltando ainda mais no tempo, quando criança, eu às vezes ia com meus avós comprar pão. Tínhamos uma sacola especial com um exterior rústico (acho que era de corda) e um interior de algodão. Carregávamos o pão dentro da sacola e depois o guardávamos dentro de um porta-pão. Nada ia fora. Hoje em dia, tudo que vem da padaria vem dentro do seu saquinho particular. E essas sacolinhas são um problema quando o pão está ainda quente, porque o vapor condensa e o pão fica molhado; a sacola de algodão não tinha essa característica, porque respirava.
Acho que já não há muita polêmica sobre a necessidade de reduzir o lixo. Então, é melhor começar pelo mais fácil: eliminar essas sacolinhas inúteis. Não há sacrifício em evitá-las e penso que muita gente as usa por hábito apenas.
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
Fatorial revisitado IV
Encontrei uma maneira ainda mais simples e rápida e de calcular um fatorial a partir dos primos que o compõem.
Para um fatorial n! é preciso
Para um fatorial n! é preciso
- Calcular, para cada primo p menor que n, a soma (s) das divisões de n pelas potências (q) de p menores que n;
- n! é a multiplicação de todos os ps.
Então, para 10!, teremos:
Se eu já tivesse uma lista de primos guardada, o código seria ainda mais simples.
- 2^(10/2 + 10/4 + 10/8) = 2^(5+2+1)=2^8
- 3^(10/3 + 10/9) = 3^(3+1) = 3^4
- 5^(10/5) = 5^2
- 7^(10/7) = 7^1
Logo, n! = 2^8*3^4*5^2*7 = 3628800.
import java.math.BigInteger;
public class Factorial {
public static BigInteger f(int n) {
int m=n+1;
int[] s=new int[m];
for(int i=2; i<=m/2; i++) {
if(s[i]!=-1) {
//Marcar todos os múltiplos
for(int p=i+i; p<m; p+=i) {
s[p]=-1;
}
//Calcular soma de expoentes até a maior potência anterior a n
for(int q=i; q<=n; q=q*i) {
s[i]+=n/q;
}
}
}
BigInteger f=BigInteger.ONE;
for(int k=2; k<m; k++) {
int pk=s[k];
if(pk>=0) {
if(k>2) {
System.out.print("*");
}
if(pk<2) {
System.out.print(k);
f=f.multiply(BigInteger.valueOf(k));
} else {
System.out.print(k+"^"+pk);
f=f.multiply(BigInteger.valueOf(k).pow(pk));
}
}
}
return f;
}
public static void main(String... args) {
for(int i=2; i<20; i++) {
System.out.printf("%d! = ", i);
BigInteger f1=f(i);
System.out.printf(" = %d\n", f1);
}
}
}
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Temporada de caça na política
Há um desenho animado muito antigo no qual o Patolino e o Pernalonga discutem se a temporada de caça é a de coelho ou a de pato. Evidentemente, cada um está tentando salvar a sua pele.
Num dado momento, Pernalonga inverte a situação e declara que a temporada é a de caça de coelho. Patolino prontamente retruca que é de pato.
A mesma tática descobri que funciona com crianças pequenas. Quando estou cansado de correr atrás de um baixinho, viro e corro na outra direção. Invariavelmente, o piá começa a correr atrás de mim.
Nestas eleições, sinto que essa tática está sendo aplicada nos detratores do Bolsa Família. Discutiam-se os méritos do programa e agora luta-se pela paternidade. Quem queria votar em azul, porque o vermelho fazia uso eleitoral do programa, agora reclama para o azul a autoria.
O eleitor vai decidir em quem atirar.
Num dado momento, Pernalonga inverte a situação e declara que a temporada é a de caça de coelho. Patolino prontamente retruca que é de pato.
A mesma tática descobri que funciona com crianças pequenas. Quando estou cansado de correr atrás de um baixinho, viro e corro na outra direção. Invariavelmente, o piá começa a correr atrás de mim.
Nestas eleições, sinto que essa tática está sendo aplicada nos detratores do Bolsa Família. Discutiam-se os méritos do programa e agora luta-se pela paternidade. Quem queria votar em azul, porque o vermelho fazia uso eleitoral do programa, agora reclama para o azul a autoria.
O eleitor vai decidir em quem atirar.
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Bolsa Família em tempos de eleição
O Brasil já foi o país mais desigual do mundo e ainda hoje supera apenas países pobres da África e das Américas. Por isso, espanta-me a resistência feroz que há contra programas sociais. Em especial, contra o programa de renda mínima Bolsa Família.
Já analisei o custo e o retorno do programa num artigo quando havia muitas críticas a respeito dos gastos sociais da União.
Ultimamente, tenho lido e ouvido muitas críticas em relação ao fato de que não se espera trabalho em troca do benefício.
O programa é de complementação de renda. Então, exigir trabalho em troca já gera conflito com seus objetivos. Se o programa vai tirar tempo das atividades do beneficiado, não estará complementando, mas substituindo.
Os benefícios não são altos. O valor mínimo é de R$77,00 para uma família que tenha renda inferior a R$154,00 per capita. Não é o suficiente para sustentar ninguém e, evidentemente, as pessoas precisam buscar outros meios. O maior benefício pago em 2012 foi de R$1.332,00 para uma família de 19 pessoas (R$70 para cada uma).
As contrapartidas são sensatas: as crianças devem estar na escola; as mulheres dever ter acompanhamento médico; e crianças em risco ou retiradas de trabalho infantil devem participar de Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos.
Como o benefício corresponde a cerca de 10% do salário mínimo (atualmente em R$724,00), uma contrapartida em trabalho teria que ocupar dois ou três dias por mês. Para uma pessoa desocupada, não seria um sacrifício extraordinário, mas para alguém que já tenha um trabalho (e filhos), é provável que fosse impraticável.
Ademais, seria preciso criar uma burocracia nacional para gerenciar uma multidão de pessoas que compareceriam uns poucos dias por mês para trabalhar. Certamente, os custos não valeriam a pena e seria mais útil gastar o dinheiro em saúde e educação.
Penso que oferecer o programa para todas as famílias talvez ajude a vencer a resistência. Sim, há cidadãos de classe média (bem vestidos e bem alimentados) que julgam injusto o benefício dado a uma família com renda inferior a R$154,00 per capita. Quantos levariam o boletim dos filhos e os atestados médicos para receber R$77,00 mensais?
Já analisei o custo e o retorno do programa num artigo quando havia muitas críticas a respeito dos gastos sociais da União.
Ultimamente, tenho lido e ouvido muitas críticas em relação ao fato de que não se espera trabalho em troca do benefício.
O programa é de complementação de renda. Então, exigir trabalho em troca já gera conflito com seus objetivos. Se o programa vai tirar tempo das atividades do beneficiado, não estará complementando, mas substituindo.
Os benefícios não são altos. O valor mínimo é de R$77,00 para uma família que tenha renda inferior a R$154,00 per capita. Não é o suficiente para sustentar ninguém e, evidentemente, as pessoas precisam buscar outros meios. O maior benefício pago em 2012 foi de R$1.332,00 para uma família de 19 pessoas (R$70 para cada uma).
As contrapartidas são sensatas: as crianças devem estar na escola; as mulheres dever ter acompanhamento médico; e crianças em risco ou retiradas de trabalho infantil devem participar de Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos.
Como o benefício corresponde a cerca de 10% do salário mínimo (atualmente em R$724,00), uma contrapartida em trabalho teria que ocupar dois ou três dias por mês. Para uma pessoa desocupada, não seria um sacrifício extraordinário, mas para alguém que já tenha um trabalho (e filhos), é provável que fosse impraticável.
Ademais, seria preciso criar uma burocracia nacional para gerenciar uma multidão de pessoas que compareceriam uns poucos dias por mês para trabalhar. Certamente, os custos não valeriam a pena e seria mais útil gastar o dinheiro em saúde e educação.
Penso que oferecer o programa para todas as famílias talvez ajude a vencer a resistência. Sim, há cidadãos de classe média (bem vestidos e bem alimentados) que julgam injusto o benefício dado a uma família com renda inferior a R$154,00 per capita. Quantos levariam o boletim dos filhos e os atestados médicos para receber R$77,00 mensais?
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Boteconomics
Eu estava procurando um investimento e estava achando difícil escolher um dentre vários fundos. As classificações variavam de risco baixo a risco alto, sem especificar exatamente o que isso significa. Se houvesse alguma probabilidade associada, eu podia usar o critério de Kelly, pelo menos.
A verdade é que, apesar das avaliações de risco variarem muito, as rentabilidades caíam todas numa estreita faixa entre 0,7% e 0,9%. Os riscos não parecem valer a pena.
Resolvi, então, fazer umas continhas para avaliar se seria mais sensato tentar economizar mais ou gastar mais fósforo procurando o equilíbrio perfeito entre risco, rendimento e taxa de administração.
Imaginei duas aplicações. Uma muito segura que rende 0,5% ao mês (parecida com a poupança) e outra arriscada, mas que rende 1% ao mês.
A minha primeira pergunta foi, se eu depositasse R$100,00 na aplicação arriscada e R$110,00 na aplicação segura, em quantos meses a aplicação arriscada ultrapassaria a aplicação segura?
A resposta é 35 meses (3 anos, portanto). Em 35 meses, a aplicação arriscada teria R$4.207,69, enquanto a aplicação segura teria alcançado R$4.216,97. No mês seguinte, a aplicação segura estaria em R$4.348,61 e seria ultrapassada pelos R$4.350,76 da aplicação arriscada. No curto prazo, é mais sensato tentar economizar mais que buscar um rendimento maior.
Além disso, a aplicação arriscada estaria 50% maior que a aplicação segura apenas no mês 167. Quase 14 anos depois, portanto. Mas eu teria que confiar que a minha aplicação arriscada permanecesse segura por 14 anos e nesse caso talvez fosse melhor classificá-la como segura.
Se eu quisesse chegar ao fim de 10 anos com o mesmo valor que eu teria acumulado na aplicação arriscada (cerca de R$23 mil), teria que guardar R$41,00 extras todo mês. Aumentar o valor por 41% todos os meses é um pouco pesado, o que mostra como é difícil lutar contra o poder dos juros compostos por muito tempo. Com o prazo menor de 5 anos, seria preciso agregar apenas R$17,00 mensais para chegar aos mesmos R$8.200,00.
A minha conclusão é que no curto prazo vale mais a pena buscar guardar um pouco mais que procurar investimentos mais arriscados.
A verdade é que, apesar das avaliações de risco variarem muito, as rentabilidades caíam todas numa estreita faixa entre 0,7% e 0,9%. Os riscos não parecem valer a pena.
Resolvi, então, fazer umas continhas para avaliar se seria mais sensato tentar economizar mais ou gastar mais fósforo procurando o equilíbrio perfeito entre risco, rendimento e taxa de administração.
Imaginei duas aplicações. Uma muito segura que rende 0,5% ao mês (parecida com a poupança) e outra arriscada, mas que rende 1% ao mês.
A minha primeira pergunta foi, se eu depositasse R$100,00 na aplicação arriscada e R$110,00 na aplicação segura, em quantos meses a aplicação arriscada ultrapassaria a aplicação segura?
A resposta é 35 meses (3 anos, portanto). Em 35 meses, a aplicação arriscada teria R$4.207,69, enquanto a aplicação segura teria alcançado R$4.216,97. No mês seguinte, a aplicação segura estaria em R$4.348,61 e seria ultrapassada pelos R$4.350,76 da aplicação arriscada. No curto prazo, é mais sensato tentar economizar mais que buscar um rendimento maior.
Além disso, a aplicação arriscada estaria 50% maior que a aplicação segura apenas no mês 167. Quase 14 anos depois, portanto. Mas eu teria que confiar que a minha aplicação arriscada permanecesse segura por 14 anos e nesse caso talvez fosse melhor classificá-la como segura.
Se eu quisesse chegar ao fim de 10 anos com o mesmo valor que eu teria acumulado na aplicação arriscada (cerca de R$23 mil), teria que guardar R$41,00 extras todo mês. Aumentar o valor por 41% todos os meses é um pouco pesado, o que mostra como é difícil lutar contra o poder dos juros compostos por muito tempo. Com o prazo menor de 5 anos, seria preciso agregar apenas R$17,00 mensais para chegar aos mesmos R$8.200,00.
A minha conclusão é que no curto prazo vale mais a pena buscar guardar um pouco mais que procurar investimentos mais arriscados.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Raspberry Pi e OpenELEC
As crianças são, surpreendentemente, os maiores usuários do meu Raspberry Pi. Assistir filmes é muito mais simples e rápido do que usar DVDs. Além disso, o meu aparelho de DVD não produz um sinal de alta resolução.
Tenho usado o OpenELEC com um cartão SDHC de 32GB. Ele ocupa cerca de 130MB e deixa o resto do cartão livre. Cada filme ocupa, mesmo em resolução de DVD (720x480), algo entre 500MB e 1GB. Então, consegui colocar todos os DVDs infantis num só cartão.
Além disso, não preciso passar por todas as introduções e menus que os DVDs costumam ter. É um pouco irritante ter que passar por ameaças legais para ver um produto pelo qual paguei.
Posso controlar o OpenELEC pelo celular, usando a aplicação para Android XBMC Remote. O controle remoto utiliza um serviço oferecido pelo OpenELEC via HTTP. Entretanto, ainda é mais simples usar o teclado (mas guardo para impressionar as visitas).
Então, o Pi está se revelando uma ótima opção para computador de viagem. Além de levar filmes para as crianças, poderei fazer cópia de segurança de fotos e filmes. E tudo o que preciso (Pi, cabos, cartões, teclado, etc) cabe dentro de uma caixinha de sorvete de 1,5l e pesa muito menos que um laptop.
Tenho usado o OpenELEC com um cartão SDHC de 32GB. Ele ocupa cerca de 130MB e deixa o resto do cartão livre. Cada filme ocupa, mesmo em resolução de DVD (720x480), algo entre 500MB e 1GB. Então, consegui colocar todos os DVDs infantis num só cartão.Além disso, não preciso passar por todas as introduções e menus que os DVDs costumam ter. É um pouco irritante ter que passar por ameaças legais para ver um produto pelo qual paguei.
Posso controlar o OpenELEC pelo celular, usando a aplicação para Android XBMC Remote. O controle remoto utiliza um serviço oferecido pelo OpenELEC via HTTP. Entretanto, ainda é mais simples usar o teclado (mas guardo para impressionar as visitas).
Então, o Pi está se revelando uma ótima opção para computador de viagem. Além de levar filmes para as crianças, poderei fazer cópia de segurança de fotos e filmes. E tudo o que preciso (Pi, cabos, cartões, teclado, etc) cabe dentro de uma caixinha de sorvete de 1,5l e pesa muito menos que um laptop.
terça-feira, 17 de junho de 2014
Criptodicas de português
O assunto que eu mais sofria para estudar no colégio era português. Hoje, percebo que a culpa era da maneira como o assunto foi apresentado. Os professores, ruins ou bons, simplesmente não tinham noção sobre como apresentar os temas de maneira interessante.
Os acentos, por exemplo, só percebi como são simples muito tempo depois. O problema é que as regras são apresentadas sem estrutura. É um amontoado de regras sem hierarquia ou fio condutor. É como ensinar geometria sem apresentar os postulados. Acentuação é simples: há uma tonicidade comum e os acentos mostram quando as palavras desviam dessa tonicidade e as coisas que mudam a tonicidade são...
Resolvi transformar isso numa brincadeira e criei criptodicas de Português. São dicas intencionalmente obtusas, confusas e divertidas.
Os acentos, por exemplo, só percebi como são simples muito tempo depois. O problema é que as regras são apresentadas sem estrutura. É um amontoado de regras sem hierarquia ou fio condutor. É como ensinar geometria sem apresentar os postulados. Acentuação é simples: há uma tonicidade comum e os acentos mostram quando as palavras desviam dessa tonicidade e as coisas que mudam a tonicidade são...
Resolvi transformar isso numa brincadeira e criei criptodicas de Português. São dicas intencionalmente obtusas, confusas e divertidas.
- Peru tem acento, pero não no Brasil
- Cu não tem acento, mas curte um assento
- Por que não acertam os porquês? Porque não estudam? Por quê?
- A aranha ateia ateia a teia lindeira
- Fui a casa, mas não à casa da mãe Joana
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