quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Evolução das Revistas

As bancas de revistas do centro agora vendem apenas lanches e bebibas. Então, quando encontrei uma banca a vender revistas, resolvi averiguar o que estava sendo ofertado.

Duas capas da Carta Capital saltaram aos olhos, mas o preço me pareceu alto: R$31,90. E as revistas são bem fininhas.

Resolvi comparar com a edição de fevereiro de 1986 da Acorn User, a revista que me conectava ao mundo naquela época pré-internet.

A edição daquele mês de 40 anos atrás custou £1.20, que a calculadora de inflação do Banco da Inglaterra diz que equivalem a £3.62 hoje. Convertendo para a moeda tupiniquim, deve dar algo como R$26, mas não sei qual era o valor da postagem naquela época. Posso dizer que os valores são parecidos.

Entretanto, a Acorn User tinha 204 páginas, sendo 120,5 páginas de propagandas, inclusive alguns classificados gratuítos para os leitores.

A Carta Capital tem 60 páginas, sendo 4 de propagandas (uma delas é da própria publicação, há um anúncio de duas páginas é do governo federal; e o último anúncio é de uma ação social).

O número de páginas úteis, portanto, não era muito diferente. A quantidade de anúncios era grande naquela época, porque não existia Internet. Eles eram importantes para todas as partes, inclusive os leitores.

Por volta do ano 2000 já era difícil encontrar uma publicação técnica nacional. Agora, até mesmo os jornais estão definhando. As plataformas digitais consomem todos os orçamentos publicitários e o classificados foram superados pelos mercados on-line.

Eu consigo facilmente todas as informações que desejo, mas ainda sinto que perdi algo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Um Produto Improvável

Agora tenho, por motivos inesperados, dois provedores de internet em minha casa. Um a 350Mbps e outro a 700Mbps.

E, num dia como qualquer outro, passei a ter 1Gbps de conexão a uma rede mundial de computadores. O futuro chegou quando já não fazia falta.

Após muito refletir e pesquisar, resolvi juntar as duas com um roteador Mikrotik. Foi uma decisão confusa e complicada e, ao fim, posso mais ou menos afirmar que escolhi essa saída porque queria um brinquedinho novo para experimentar.

Uma alternativa seria comprar um roteador que suportasse OpenWRT, mas eu já tenho um roteador novinho que funciona bem.

O Mikrotik não é um aparelho simples, então tive que tomar a medida drástica de ler a documentação.

Finalmente, configurei a caixinha para repassar 2/3 do tráfego por um provedor e 1/3 pelo outro. Não configurei failover porque quero saber quando um falhar; caso contrário, eu poderia passar anos sem perceber que estava usando apenas um e pagando dois.

Isso me pôs a pensar sobre um produto que pudesse ser vendido a usuários leigos.

Algumas dificuldades vieram à mente:

  • A instalação precisa ser trivial (o usuário só precisa conectar os cabos);
  • O aparelho precisa descobrir sozinho a velocidade de cada provedor;
  • Ele precisa de failover e também precisa comunicar ao usuário quando uma linha cair.

Dado que uma pessoa ter dois provedores já é uma situação anormal (não estou considerando empresas, que geralmente têm sua TI ou a terceirizam), um produto para balancear dois provedores já resolveria boa parte do mercado.

Uma solução seria vender um roteador de prateleira com OpenWRT instalado e configurado para duas WANs.

Entretanto, uma questão adicional persiste: desligar os Wi-Fis dos provedores. Quando contratei o segundo provedor, eu resolvi levantar a questão com o vendedor. Eu suspeitei que não seria compreendido, mas ofereci ao vendedor a oportunidade de me surpreender. Como esperado, ele não entendeu o que eu estava propondo; não há equipamento alternativo e não tem sentido não usar o Wi-Fi. Então, eu levantei a questão com o técnico que executou a instalação e, realmente, o provedor só oferece um tipo de modem, mas eu poderia desabilitar o Wi-Fi. Isso não é trivial para um usuário leigo e teria que fazer parte do pacote.

O histórico de produtos configurados pelos consumidores tem uma longa lista de artefatos apreciados por engenheiros e esquecidos pelos consumidores. Um exemplo magnífico é o telefone soviético com autodiscagem.

Um programador como eu certamente teria grande afeto por um telefone com memória de núcleo magnético programável, mas um consumidor encolher-se-ia em horror frente à confusão de fios e fugiria com medo de que um tentáculo subitamente o atacasse com um choque elétrico mortal.

Por enquanto, a única saída que me parece prática seria a de uma empresa que fizesse tudo para o consumidor. Entretanto, a necessidade de fazer propaganda para alcançar o público-alvo e o custo não teriam sentido econômico.

Uma saída interessante para os provedores, mas não para proto-empreendedores que sonham com a dominação mundial, como eu, seria as empresas de Internet oferecerem uma solução. Afinal, os provedores A e B poderiam ambos ganhar clientes da concorrência. Vou sugerir isso ao meu provedor local (porque o provedor grande, nacional, sequer consegue contratar um POS que funcione).

Essa odisséia toda me levou também a aprender uma coisa muito importante sobre a redundância. Todos os provedores que chegam ao meu condomínio, exceto um, vêm pela mesma rua e pelos mesmos postes. Quando um poste pegou fogo, apenas o provedor que chega por outra rua continuou a prover o serviço. Logo, uma redudância efetiva passa também por entender a infraestrutura da cidade.